HIC ET NUNC | A Pedra de Vila Cã

A última Assembleia de Freguesia da minha terra, realizada no passado dia 25, ficou marcada pela renúncia do Presidente da Mesa da Assembleia, que justificou a sua decisão com a sua discordância relativamente à atuação do executivo e pelo facto de, na sua opinião, os interesses da freguesia nem sempre estarem a ser devidamente respeitados.

Dois ilustres fregueses que intervieram levantaram as suas dúvidas sobre se o executivo conhece e aplica devidamente as disposições legais que regulam a gestão financeira das autarquias, nomeadamente a Lei das Finanças Locais.

Relativamente ao contrato celebrado em 2017 pela presidente da junta em funções nessa data, que teve como objecto a exploração da pedreira, foram analisados os dois pareceres existentes e solicitados pelo actual executivo,  ficando-se a aguardar a assembleia extraordinária que vai ser convocada entretanto para se tomarem decisões sobre o tema.

Outro dos temas em destaque foi a necessidade da criação de um parque de merendas e de lazer junto ao centro da sede de freguesia e não na localização agora prevista, mais afastada do centro. Uma localização mais central seria uma oportunidade para valorizar a nossa sede de freguesia, criar maior atratividade e contribuir para a dinamização do comércio e das instituições locais. Pela maior proximidade, não seriam precisas deslocações em viaturas diversas, para idas ao café, supermercado, outros espaços comerciais, Centro Cultural ou outras instituições, enquanto os utentes frequentassem o parque.

Defendi ainda que a aposta em infraestruturas demasiado afastadas dos centros das freguesias poderá não produzir o efeito desejado na dinamização do comércio e das instituições existentes.

Apesar das várias obras previstas, sublinhei que permanece uma extensa lista de intervenções por concretizar, numa verdadeira “mesa cheia” de projetos por executar, a que se somam pequenas obras ou manutenções também em falta.

No tema da manutenção referi como exemplo as Alminhas do Viuveiro, tendo obtido como resposta por parte do executivo que não fariam esse tipo de intervenção porque esse património tem um cariz religioso.

Discordo, independente da sua utilidade ou propriedade o património é de todos e deve ser conservado, como um fontanário, um abrigo de passageiros ou um lavadouro.

No âmbito financeiro, é destacado que a freguesia apresenta um saldo financeiro bastante positivo, (demasiado acumulado) situação segundo o executivo, o que deveria permitir encarar com responsabilidade e ambição a concretização de investimentos.

Mas após um primeiro mandato e decorrido este primeiro ano do segundo, o Executivo permanece ambicioso, mas na verdade, muito pouco concretizador.

A opinião pública Vilacanense mostra-se em larga medida, descontente e desanimada, mas saibam que podem confiar nos eleitos do CDS-PP, que continuarão a defender os vossos interesses.

 

Por Filipe Gonçalves [Eleito membro da Assembleia de Freguesia de Vila Cã do CDS-PP]

Crónica publicada na edição 335 de 29 de Setembro de 2026

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