O assunto que mais discussão gerou na última Assembleia Municipal foi a aprovação do empréstimo bancário de 9,85 milhões de euros, por parte do Município de Pombal. Um empréstimo justificado pela câmara com a necessidade de avançar com a aquisição de terrenos para ampliação do Parque Industrial Manuel da Mota, a concretização do novo Centro Tecnológico na ETAP, avançar com vários parques verdes nas freguesias, adquirir um imóvel em Pombal ou avançar com o Centro de Estudos Mota Pinto, na casa do antigo primeiro-ministro.
Na assembleia, o PS foi o primeiro a referir o seu sentido de voto, dizendo que iria votar contra. Rodrigo Escapa afirmou que “coragem não é pedir um empréstimo. Coragem é pagá-lo, e no seu mandato”. Os socialistas dizem que são a favor da contratação de empréstimos para realizar investimentos, mas que neste caso, apenas 40% é para esse efeito, considerando que os restantes são puro despesismo. A bancada socialista referiu também que o presidente de câmara tem dificuldade em definir prioridades, e que os parques verdes não são uma prioridade para os socialistas.
Já conhecida era a posição de Luís Couto, do movimento Pombal Independentes. Numa carta aberta enviada aos membros da assembleia havia apelado ao voto contra ou abstenção, invocando, entre outros, o facto de vivermos num tempo de incerteza económica, o aumento da dívida do município para valores nunca vistos ou a proximidade de eleições e a possibilidade do compromisso ter de ser gerido por outro executivo. O voto contra estava já anunciado.
A defesa do empréstimo veio da bancada do PSD, nomeadamente dos representantes das juntas de freguesia, que congratularam-se pelo investimento nos parques verdes. Já Pedro Pimpão justificou o empréstimo com o grau de maturidade dos projectos e a oportunidade de financiamento por parte do PRR ou do Portugal 2030. “Estes investimentos não são mais importantes do que o saneamento, mas o investimento em saneamento já está no orçamento municipal”, disse. O edil acrescentou que os projectos alvo do empréstimo foram compromissos eleitorais de 2021, votados pela população, recusando a ideia de que são medidas eleitoralistas com vista às próximas eleições. Disse também que “estes investimentos estão alinhados com a nossa estratégia”.
*Notícia publicada na edição impressa de 6 de Março