A arte da construção de muros de pedra seca no Maciço Calcário de Sicó foi inscrita, a 3 de Junho, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, na sequência de uma candidatura apresentada pela Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento. O reconhecimento abrange uma técnica tradicional identificada em 18 povoações de seis concelhos da região.
A distinção foi assinalada no dia 16 de Outubro, durante a Cerimónia de Entrega das Placas de Património Cultural Imaterial, que contou com a participação de Jorge Cancelinha, presidente da Terras de Sicó.
O estudo que fundamentou a candidatura identificou construções tradicionais em calcário nos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure. O trabalho incluiu observação no terreno e contacto com as comunidades locais.
Na sua intervenção, Jorge Cancelinha destacou a importância desta técnica para a identidade e a paisagem cultural da região, sublinhando a necessidade de preservar os conhecimentos associados à sua execução.
A construção de muros de pedra seca consiste na colocação e no encaixe manual de blocos de calcário, geralmente sem recurso a argamassas. A estabilidade das estruturas é assegurada pelo equilíbrio e travamento das pedras, exigindo conhecimentos específicos por parte dos pedreiros.
Estes muros são utilizados na delimitação e sustentação de terrenos agrícolas, podendo também integrar edifícios novos ou intervenções de recuperação de construções antigas.
Segundo a Terras de Sicó, o reconhecimento pretende valorizar não apenas as estruturas existentes, mas também os conhecimentos tradicionais e as pessoas que os mantêm, promovendo a transmissão desta técnica às gerações futuras.
Durante a cerimónia, Jorge Cancelinha agradeceu o contributo do arquitecto Nuno Ribeiro Lopes e da antropóloga Ana Saraiva, que participaram no acompanhamento técnico e científico do processo de reconhecimento.