O Tribunal Judicial de Leiria condenou na segunda-feira a prisão efectiva pai e filho pela co-autoria de um crime de roubo consumado e um crime de furto tentado, segundo o acórdão ao qual a Lusa teve acesso.
O colectivo de juízas condenou ambos, detidos preventivamente, na pena única de dois anos de prisão, recusando nos dois casos suspender a execução da pena e não permitir que esta fosse cumprida em regime de permanência na habitação.
Nos factos provados lê-se que na manhã de 04 de Novembro de 2025, os arguidos, de 40 e 18 anos, “decidiram apropriar-se de qualquer um dos veículos estacionados” no parque de um hipermercado de Pombal, onde tentaram furtar uma viatura.
Enquanto o pai vigiava o local, o filho destrancou um carro e tentou pô-lo a trabalhar através de ligação directa, sem sucesso.
Depois de verificarem se algum dos veículos estacionados estava destrancado, acabaram por abandonar o local em direcção ao parque de estacionamento de outro hipermercado na mesma cidade, adianta o acórdão.
Segundo o documento, os arguidos tentaram nesse segundo parque “abrir as portas de diversas viaturas”, o que não conseguiram, mas avistaram uma mulher, de 72 anos, a sair do hipermercado em direcção ao seu carro.
Enquanto o pai vigiava o local, o filho apercebeu-se que a condutora estava sozinha e seguiu-a.
Quando a condutora estava dentro do carro, o arguido mais novo “bateu com uma das mãos no vidro da porta do lado do passageiro, ao mesmo tempo que tentou abrir a porta”, tendo aquela, por pensar que o jovem “pretendia alguma informação”, aberto a porta do passageiro.
Nesse momento, o arguido “debruçou-se para o interior da viatura, apoiou-se no banco do passageiro e gritou expressões” que a condutora não compreendeu, “ao mesmo tempo que cerrou o punho e, fazendo uso da força física, direccionou-o contra o rosto da mesma com intenção de a atingir”, mas não conseguiu porque aquela se afastou.
O tribunal colectivo deu ainda como provado, entre outros aspectos, que a condutora, com medo, saiu do carro, deixando a chave na ignição, enquanto gritava por socorro.
O arguido acabou por entrar para o lugar do condutor e ligou o motor, mas após ter circulado menos de dois metros, o motor deixou de funcionar, refere o acórdão, adiantando que os dois acabaram por sair do parque.
O acórdão acrescenta que o pai viajou para Portugal, onde estava há dois dias, com quatro menores, o filho arguido e a namorada deste (13 anos), e outros dois (13 e 15 anos à data).
Para a determinação das penas, o colectivo de juízas teve em consideração “as fortes exigências de prevenção geral que se fazem sentir, atenta a frequência com que ocorrem este tipo de ilícitos, geradores de insegurança e alarme social”, e de que a Comarca de Leiria não é excepção, “o diferente grau de participação dos arguidos”, assim como “a diferente idade e natural responsabilidade de cada um deles”, a assunção parcial dos factos por parte do filho, mas não em audiência e sem que tenha demonstrado juízo de autocensura, a ausência de antecedentes criminais ou a situação pessoal dos arguidos, que “permite concluir pela total desinserção dos mesmos” no país.
Em 06 de Novembro de 2025, o Comando Distrital de Leiria da PSP anunciou a detenção dos dois homens pela tentativa de roubo de um carro em Pombal através do método ‘carjacking’ depois da tentativa de furto de outro veículo.
No dia anterior, o Comando Territorial de Leiria GNR divulgou ter localizado três menores dados como desaparecidos na Alemanha após interceptar uma viatura que circulava com matrículas falsas no concelho de Pombal e cujo condutor foi detido.
Em comunicado, a GNR explicou que no veículo, além do condutor, um português à data com 18 anos, “seguiam dois menores, um jovem de 13 anos e uma jovem de 15 anos, residentes na Alemanha e sinalizados como desaparecidos na Plataforma Schengen”. Esta última é irmã do condutor e foi entregue a familiares residentes em Portugal.
Na sequência desta acção, a GNR localizou, em Castelo Branco, três pessoas alemãs, uma jovem de 17 anos que se encontrava também sinalizada como desaparecida, um jovem e um homem (estes últimos pai e filho agora condenados).
LUSA